Quem nasceu em África ou nela viveu, se teve o praÂzer ímpar de, no silêncio cheio de misteriosos ruídos que povoam as noites africanas, de ouvir, ou melhor, de “ouviver”, no convívio de uma fogueira que crepita exalando um cheiro inigualável que se pressente a quilómetros de distância, uma estória cheia de sons, de onomatopeias, de gestos e pausas, sabe como tais estórias são contadas, seja na língua nativa seja em português um português desconstruído ou, se desejarmos, construído com a argamassa dessas mesmas língua, diferente, único, musical, um portuÂguês que não apenas se ouve mas que se sente, que se saboreia, que se vê.
