Ao Espelho

Germano Ribeiro

Germano Ribeiro

(…) Afrodite veio falar em meu favor: “– a cachopa, apesar de humana, é bonita e tem um ar terno e doce. Tão doce como muitas de nós e até bem mais doce do que algumas de nós”. Estas últimas palavras foram (…) na direcção de outra personagem da assembleia que se encontrava agora num patamar um pouco inferior. Tive alguma dificuldade em reconhecê-la naquele visual completamente renovado. Porque também fiquei a saber que se fazia permanentemente acompanhar por um séquito de ninfas, de cabeleireiros, de costureiros… Humano ou divino, tudo o que sirva os seus intentos de parecer sempre melhor do que antes – ou, se calhar, melhor do que é – está convidado ou seduzido a satisfazer-lhe os caprichos. Que, há que reconhecê-lo, a mantinham sempre bela, irresistível. Tal o vigor e o poder da maquilhagem. Apesar de tudo, depois do reforço da água do Mnemósine, pude reconhecê-la como aquela que vulgarmente é conhecida e falada como deusa Europa.

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