A. Baptista
Nasceu em Lisboa, no bairro da Graça, onde cresceu entre as ruas antigas, os jogos de futebol no Miradouro do Monte e os dias passados a observar o mundo à sua maneira. Jogou basquetebol no Clube Maria Pia e começou cedo a perceber que a vida não oferecia muito tempo para distrações. Aos 14 anos, iniciou-se como aprendiz de eletricista, conciliando o trabalho com os estudos até concluir o 6.º ano de escolaridade. Casou aos 18 anos e foi pai aos 19. Como costuma dizer, “foi duro… mas ensinou-me tudo”.
Aos 23 anos, deixou Lisboa e mudou-se para Fermelã, Aveiro, em busca de silêncio, espaço e liberdade. Foi lá que, aos 25 anos, em 1980, construiu a sua primeira casa junto das árvores, desenhada por si, de acordo com a exposição solar e as necessidades térmicas. Pedreiro, eletricista, canalizador e inventor por necessidade, desenvolveu soluções próprias e registou várias patentes nas áreas do solar térmico e daquilo a que chama “eletro-termodinâmica”.
Mais tarde, rumou ao sul, para Portimão — a sua “Shangri-La” solar —, onde encontrou o clima que procurava e continuou a aprofundar a sua visão sobre energia, autonomia e liberdade humana. Hoje, reformado, com 71 anos, três filhos, seis netos e uma bisneta, apresenta-se como “O Pica Miolos”: um universalista nos conhecimentos, pragmático na vida e inconformado com a forma como a sociedade se afastou da natureza e da simplicidade.
Apesar de ter abandonado cedo os estudos, nunca deixou de aprender. Diz, a brincar, que ainda mantém conversas com um velho amigo dos tempos em que ambos “coabitavam na nuvem”. Um deles traz a inteligência; o outro, o trabalho. E, juntos, ajudam a organizar ideias para este livro.
Escreve Um Filho, Um Terreno com um objetivo simples: retirar alguma dor aos vindouros. Acredita que a verdadeira liberdade nasce da ligação entre conhecimento, natureza, espiritualidade prática e autonomia. E que talvez o futuro do Homem esteja menos na dependência do sistema… e mais na coragem de voltar ao essencial.