Este romance foi escrito de um só fôlego. Quando a sua estrutura foi toscamente desenhada, começou a manifestar-se uma espécie de urgência, como se os personagens tivessem pressa em revelar o que estavam ali a fazer e o que tinham para contar… Foi necessário deixá-lo repousar e assim ficou, quieto, durante dois anos e meio, até agora que decidi editá-lo.
É uma história dura e a linguagem algo violenta, é ajustada aos personagens e aos cenários onde se desenrola. Aqui fala-se de dualidade, o lado branco e o lado preto, a luz e a escuridão. Fala-se da morte e também do renascimento, qual iniciação regeneradora da alma, de onde se solta a verdade e se faz luz. Uma vez mais a natureza humana é o cerne do romance, com todas as nuances inerentes à sua própria e eterna imperfeição.
A magnífica cidade de Évora esco-lheu-me para nascer e como diria OscarWilde, quando uma mulher diz a verdadeira idade, é um perigo, porque ela pode dizer qualquer coisa. Portanto… eu diria que já fiz 49.
A cosmopolita Lisboa escolher-me para trabalhar e a paradisíaca Sintra, para viver. Reconheço que escrever é um vício do qual fui ficando dependente. O tempo de escrita acontece durante a noite, quando os intervenientes da história chegam, se acomodam e me relatam as suas vidas. Aceito toda a gente que entra na minha história e, democraticamente, dou-lhes, não só a palavra, como toda a liberdade de ser.
Quando a história termina, os personagens partem. Fica então o vazio, o sentimento de solidão, de quase abandono. A pausa é vivida com ansiedade e inquietação, até que chega o momento em que um personagem - que ainda não conheço - surge e me sussurra: Boa noite…!
Edições anteriores:
2010 - À Espera de Marianita
2011 - 3 Mulheres e Meia
2014 - Sexo, Champanhe e Lúcia-lima