O título do livro reflete, de imediato, a ironia na visão e forma de sentir do autor, ausente de subterfúgios, através da sátira e do sarcasmo. Trata-se de uma escrita escarninha, que não é óbvia de todo, e de um riso que se expõe caninamente nos calcanhares da santíssima trindade do poder: o poder financeiro, o poder religioso e o poder político. Esta crítica, dura e mordaz, apresenta-se como a rejeição, sem complacência, de um sistema estereotipado e corrupto, que pode degenerar num cenário onde a tirania coloque término à Liberdade e à afirmação das forças mais nobres que habitam a alma humana.
Os fautores de regimes despóticos encontram nas debilidades da democracia e na atuação de falsos democratas os argumentos necessários para explorarem as falências humanas em nome de uma futura barbárie. O autor deste livro, ciente das realidades históricas que confirmam tais percursos, apresenta cartas abertas a personalidades várias, ridicularizando-as nos seus vícios/ defeitos, num desdém provocatório; sem deixar de desvendar algumas realidades mais sórdidas, num estilo coloquial, mas em tom jocoso e incisivo. Procura-se, assim, apresentar os absurdos do sistema vigente e das personagens que dele se alimentam, contra um senso comum que confirma, não interroga; acata, não discute; repete, não indaga; enfim, conforma-se, não se rebela
