Destinatários

Quando era mais nova comprei um livro de poesia para a aula que iria ter no dia seguinte. Devorei-o nessa noite e, tal como o céu, o mundo pareceu-me infinito. Tinha nas minhas mãos os sentimentos de outro ser humano entrelaçados nas suas próprias palavras. Queria fazer o mesmo com as minhas palavras, entrelaçá-las no papel ao invés de fazê-lo na minha cabeça onde ninguém, incluindo eu, as conseguiria interpretar. Então, comecei a escrever. Desta vez, escrevo a alguns dos muitos destinatários que se afogavam nas palavras desordenadas do meu pensamento e digo-lhes tudo aquilo que, outrora, se perdera entre a minha própria desordem.

Escrevo-lhes sobre tudo aquilo evitava sentir na solidão da minha sensibilidade. E espero que eles ouçam tanto como eu os ouvi. E espero que a poesia goste de mim tanto como eu gosto dela.

Poesia, este livro é para ti e para todos os destinatários da minha cabeça.

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