Uma viagem ao Rio de Janeiro reavivou memórias de infância dos nossos antepassados emigrados no Brasil, transmitidas durante gerações e envoltas em mistério e fantasia.
A figura central de todos os relatos era Francisco Lopes Ferraz, “emigrante de torna viagem” que em 1847, com 13 anos, foi para o Brasil a bordo da Galera “Amor da Pátria”.
O “Tio Francisco” singrou devido às suas qualidades pessoais e ao seu trabalho. Iniciou a sua actividade na estiva. Com 24 anos fundou uma loja de “Secos e Molhados” que rapidamente alcançou grande sucesso e se expandiu. Posteriormente, diversificou a sua actividade para a Indústria – salinas, fósforos, sabão e velas, conservas, entre outros – e expandiu-a novamente para a Banca.
Foi um benemérito quer no Brasil quer em Portugal. Recebeu sobrinhos que integrou em diferentes áreas dos seus negócios, assegurando sempre a promoção da família.
Em todos os relatos sobressaiam valores fundamentais, para que ficassem bem interiorizados: a importância da família e dos afectos; o respeito pelo trabalho e pelos bens recebidos, resultantes do trabalho acumulado pelas gerações anteriores; e a solidariedade social.
Regressada da viagem, decidi tentar reconstruir o percurso destes nossos antepassados.
