Essa Mão Invisível que nos Ampara

Fernando Melim

Fernando Melim

(...) - ... e, se assim é, será legítimo colocar uma óbvia pergunta: poderão comunicar os outros?

- Que outros?

- Os libertos da carne. Os “espíritos desencarnados” - precisou ele. - E se o amor, quando autêntico amor, alimentado pela fé que alimenta toda a expectativa, rompe todas as barreiras, não será possível que haja contacto entre as dimensões de vida sediadas na carne e no plano espiritual?

Arnaldo Meirim aprumou-se, momentaneamente surpreendido. O Paulo não costumava falar por falar. Havia sempre uma base concreta na sustentação do seu discurso, do seu raciocínio. Da sua fé. Olhou para ele e perscrutou-lhe o rosto. Havia um brilho nos seus olhos e firmeza na linha dos seus lábios. Não, não estava a brincar.

- Isso não é profundamente herético? - perguntou-lhe.

Não tanto como podemos supor - respondeu.

Passou a mão pelo cabelo, agarrou no livro de Quevedo e acrescentou com calor:

- A verdade, ainda que seja negada mil vezes, sendo verdade, nunca é herética.

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