"Sou um cão do meu tempo, um pós-moderno, um individualista que tenta afirmar a sua singularidade no meio da matilha, da massa anónima de que afinal faço parte, mas que, por demasiadas vezes se quece disso mesmo, de que sou apenas um elemento de um corpo social mais vasto, composto por um multidão, de outros como eu.
Felizmente ainda não perdi a capacidade de me interrogar e, por isso, por vezes, consigo alguns simulacros de claridade.
Aproveitei o programa das Novas Oportunidades, e aprendi a escrever, espero. Como ver televisão é um atividade que me dá cabo dos nervos, protejo-me, e escrevo, sempre me sinto melhor do que a olhar para a televisão. Tirando é claro os noticiários das manhãs em que as insónias me não deixaram dormir.
Ando a dormir mal, razão pela qual vejo os noticiários da manhã. Fico informado de como está o trânsito apesar de não sair de casa"
Rui Filipe Torres
