Nómadas da Globalização - Pré-Covid

Adelaide Carvalho

Adelaide Carvalho

Isabel pensava em quão interessante a sua vida se tornara. Vive­ra a uma velocidade assustadora, conhecendo pessoas tão dife­rentes das que encontraria em Portugal se lá tivesse ficado. Per­cebera que as cidades e os países não obedeciam inteiramente à padronização que os meios de comunicação, à distância, im­primiam em tudo e todos. Vistos de perto, uns eram mais iguais entre si do que outros, mas a singularidade de cada um continu­ava bem evidente apesar de sujeita à massificação internacional. Pensara tanto nas semelhanças e nas razões das diferenças. En­tusiasmava-se sobretudo com a diversidade cultural que coabita­va no mesmo espaço. Surpreendia-se com a facilidade com que se adaptou a Jacarta. É certo que só tinha encontrado pessoas magníficas que a ajudaram sem recearem invadirem a sua priva­cidade e ignorando o cuidado que a civilização do politicamente correto impunha. Auxiliaram-na porque tinham o sentido de bem acolher e a curiosidade de a conhecerem, sabendo que ela es­tava de passagem. No Reino Unido, a adaptação tinha sido mais gradual para ambas as partes: ela e quem a acolhia ainda tinham a noção da distância curta entre os dois países. Não havia urgên­cia de correrem uns para os outros porque, todos acreditavam que se iriam encontrar várias vezes ao longo das suas vidas. Nos EUA, país de passagem para o mundo, havia pressa em estabe­lecer ligações, efémeras com certeza, mas que deviam aprovei­tar enquanto duravam.

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