O Filho das Ervas

Júlio Pereira

Júlio Pereira

Coimbra, anos 50.

Carlos é um “filho das ervas”, a forma mais suave então existente para designar um filho de pai incógnito, situação que, nesse tempo, estigmatizaria a mãe e a criança.

Ao longo das páginas deste livro, que conjuga o estilo de memórias com o romance, vamos seguindo esta criança desde as circunstâncias do nascimento, à sua infância e à perda da inocência, bem como a vida daqueles que com ela se relacionavam, oportunidade para conhecer o pulsar da pacata cidade de Coimbra e, por essa via, do Portugal de Salazar, não através dos lugares comuns da literatura oposicionista, mas da vida simples das crianças e das pessoas modestas para quem a política nada significava.

Por ali passam figuras como o Sr. Herculano, sapateiro de profissão, amigo de Baco; Dª Etelvina, que aliava a religião às sessões de espiritismo; Lucília, trintona analfabeta, desesperadamente à procura do amor; Venâncio, um caixeiro-viajante pinga-amor; Amelinha, a tresloucada que, nos momentos de perturbação, imaginava o manto da Rainha Santa a arder; a idosa de nome desconhecido, que dormia nas escadas da igreja, embalando uma boneca sem um braço, como se estivesse a acarinhar uma filha e, finalmente, Hilda, que se sacrifica para que Carlos tenha uma mãe, embora seja avara em afagos e carinhos, porque não sabe dar o que nunca teve.

Um livro simples para gente sensível, pais, educadores…

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