Escrevo porque há silêncios que não cabem no corpo.
Porque a memória insiste, mesmo fechada em gavetas fundas.
Porque certas ausências permanecem sentadas à mesa.
Escrevo para tocar de leve o que me atravessa:
o tempo que passa sem pedir licença,
a infância que regressa em gestos mínimos,
o amor que fica quando já não está
e a natureza que, em segredo, me ensina a respirar.
Este livro nasce desse lugar frágil
onde a palavra procura casa.
Não traz respostas.
Traz caminhos, restos de luz, sombras sem nome.
Se alguém se reconhecer nestas páginas,
não será por semelhança de histórias,
mas por uma língua antiga que nos atravessa.
