Quando os Ponteiros do Relógio Pararam

António Aguiar

António Aguiar

Já passava das duas da madrugada, quando Vasco Carvalhadas deixa mais um dia de trabalho para trás. Esta noite era muto diferente... Em suores, pela estrada pisada pelos cansados pneus do seu carro, olha para o retrovisor, e deixa os quilómetros, as povoações e alguns pensamentos passarem a fazer parte da paisagem.

Já no descampado dos eucaliptos, entra no barraco de pedra e fecha todas as fechaduras da velha porta pesada de ferro. Vai até ao centro da sala, com a luz debaixo do braço direito. Verifica o estado de humidade de um dos cobertores que mantinha a proteger o seu “hóspede”. Coloca-se a olhá-lo de cima a baixo. Sobe o seu robusto braço no ar, e com toda a força dá um enorme estalo no rosto sujo e ensanguentado de Milro, ordenando-lhe:

- Hora de acordar, meu cabrão."

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