Delenda Moçambique

Maria Antonina Magalhães

Maria Antonina Magalhães

Se por um lado Machel falava num Moçambique para todos, sem distinção de cores, desde que cada um se identificasse com a linha da Frelimo, por outro lado o ardor das suas palavras contra o branco, visando sempre com afincada insistência os missionários e as religiosas; o rancor que lhe vibrava na voz quando se referia aos portugueses, levantava uma tremenda suspeita. O homem estava a preparar-se e a preparar o povo para enxotar o branco. Era evidente que o queria fora de Moçambique. Isto começou a criar em certos espíritos, a insegurança, o receio do futuro.

 

Estamos longe: só pelos jornais se sabe, e mal, o que por lá se vai passando. Sabe-se, porém, que a população negra está na miséria e sofre agora os efeitos da guerra com a Rodésia, uma guerra que não é sua. Não há paz, nem felicidade. Em contrapartida, há fome e perseguições. Os campos de reeducação, ou antes, de trabalhos forçados, estão cheios.

A história dirá se os Podgornys e os Castros trouxeram ao povo moçambicano a felicidade e o progresso que ele esperava, quando sacudiu das suas fronteiras o português “colonialista e opressor”...

Novos e velhos dirão depois se ganharam com a troca...

Leiria, agosto de 1977

 

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