O Quadro Vermelho de Jericó

Alexandre Hoffmann Castela

Alexandre Hoffmann Castela

 “Não morreria sem o sabor do pão na boca e a esse momento poético e visceral respondeu o povo ali presente, uns mil, obrigados e transportados em autocarros velhos até aos jardins do palácio, quais testemunhas da execução, com um choro murmurado, mas de costas respostas na sua curvatura padrão de pau e fome, e queixos ao alto, se ouviu perdido entre a multidão, aqui e ali, numa praça de gente madura, em tom de corajoso e de insurrecto desafio, “pão e paz ou guerra e morte!”. Ezequiel Fulgêncio da Costa compreendeu então, que paz e pão caminhavam como irmãos, tal como sempre que a guerra e a morte idem, e, decidiu do alto daquela varanda que o soco, o tiro, o medo, o aperto e o desespero não haviam de ter fim enquanto não se dobrassem todos de vez.”

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