Regresso Sem Hora Marcada

Aurora Candeias

Aurora Candeias

Trabalhava as minhas personagens, sentada na minha cadeira predileta, no quintal da minha modesta casa. De costas viradas para o que restava da habitação das minhas origens, rodeada por ervas daninhas que cresciam ao abandono, descomprometidas das suas ramificações. O som da música que de lá chegava era provocado pelo efeito produzido pelo vento que colidia com árvores, abanando-as ao acaso.
De vez em quando interrompia a escrita para ouvir o cão que reclamava algum forasteiro que passava escondido entre os arvoredos. Nos escapes do pensamento pegava num pequeno espelho redondo, olhava-me e descobria novas rugas que me faziam lembrar as marcas que a idade não perdoa.

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