Leiam, por favor,
Leiam, se puderem,
Percebam a curvatura,
O tiquetaque dos ponteiros,
Passem as tormentas do Bojador
E voltem, se se atreverem,
Que a vida pouco dura
E já nos espera o barqueiro.
Ver-se- ão a ler
E a ler relendo,
Assim o tempo flui
Num refluxo constante,
Porque o que estão a fazer
Já dantes estiveram fazendo
E, tal como já fui,
Serei mais adiante.
O tempo como linha recta
É sinal da pequenez;
As horas têm curvatura,
Como a Terra e o Universo;
Essa curva segue-a a seta,
Tal vira o tempo uma e outra vez,
Mas, de tão vasto na lonjura,
Vemo-lo como escrita num verso.
