Chega o Nhô Santo Amaro.
O momento estava para a folia retemperadora de nervos.
Calhou a uma segunda-feira o verdadeiro feriado em nome do Protector e do Município. O que não impediu que a disposição para o forrobodó se manifestasse logo na sexta-feira à noite, com as Batucadeiras de Chão Bom na praça da Vila, os fartos dotes naturais de canto e rodopio de ancas em torno, de fazer crescer água na boca dos mirones, uns primeiros reencontros de amigos, um primeiro contacto de almas à espera das noitadas de sábado para domingo e dia que seguiria até ao dia próprio…
Um vaivém de povo em fatiota de estreia, ofuscando até os reluzentes acessórios dalguns patrícios em férias vindos da Amadora, Lisboa, Oeiras, Almada, Barreiro e Setúbal, trocava apertos de mão e sorrisos, falava alto e entrava em todas as portas de lojas abertas, para expulsar das goelas as poeiras acumuladas nos caminhos à volta da Graciosa.
Eis uma amostra do teor do livro de Gabriel Raimundo – Tarrafal, Meu Amor Verdeano – espelhando o carácter festeiro dos Tarrafalenses, o traço de união entre os residentes e os filhos emigrados, a humildade associada à determinação de construírem, de mãos dadas, uma terra cada vez mais cativante.
Um Município povoado de gente hospitaleira, com formoso íntimo, carregando um triste passado comum aos irmãos dos trópicos, mas hoje respirando uma Liberdade dolorosamente conquistada e de mirada afinada num espaço de Progresso, Humanista e Feliz.
