Quando as acácias irrompem, no seu fulgurante tecer de um mundo próprio, trazem com elas o olhar rouco da metamorfose. Nascem do fundo dos mitos. Dos nomes. Dos eixos da morte __ e erguem-se como tecedeiras de um sul de seiva bruta e elaborada. Pulsos de atlas. Em viagens de raiz e flor e braços pela nova sintaxe dos mundos.
E há um momento subtil em que o seu soro acorda em nós, vasos e pulmões, mal dando nós por isso. É por vezes pela noite, quando o nevoeiro encobre embriaga e desperta o enigma dos inúmeros continentes que seremos.
Se deixarmos a memória discorrer pelo fio dos andes nunca desvendados __ supostos apenas por antropólogos que visitámos em noites de uivo __ resolveremos num mapa quase final o lugar dessas acácias interiores, que nos desafiam como finas línguas entre o medo e o riso.
"Em estames estamos", diz a voz. Assim são as acácias quando proliferam.
